sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Poesia: Continuando...








Poesia: Continuando...




Mistérios do passado


Mistérios do passado
SILVA, Oscar Pereira da. Descoberta do Brasil. [Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500]. 1922. Óleo sobre tela, 190 cm x 333 cm. Acervo Museu Paulista, São Paulo (BR).


Mistérios do passado


Quando Cabral o descobriu,
será que o Brasil sentiu frio?

Diz a História que os índios comeram o bispo Sardinha.
Mas como foi que eles conseguiram abrir a latinha?

Qual o mais velho, diga num segundo:
D. Pedro I ou D. Pedro II?

De que cor era mesmo (eu nunca decoro)
o cavalo branco do Marechal Deodoro?

PAES, José Paulo. É isso ali. Rio de Janeiro: Salamandra, 1984.




Ipês floridos


 Ipês floridos


Ipês floridos


Festa das lanternas!
Os ipês se iluminaram
de globos cor-de-ouro.

Kolody, Helena. Viagem no espelho. Curitiba: Criar, 2001.




O poeta da roça


Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabaio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de páia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastêro, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

Só canto o buliço da vida apertada,
Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

Eu canto o cabôco com suas caçada,
Nas noite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipora.

Eu canto o vaquêro vestido de côro,
Brigando com o tôro no mato fechado,
Que pega na ponta do brabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.

Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.

E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade,
Cantando as verdade das coisa do Norte.

ASSARÉ, Patativa do. O poeta da roça. In: Correio Braziliense, Brasília, 21 mar. 2002. Caderno Coisas da Vida.





Patativa do Assaré: o poeta que traduziu o sentimento nordestino.


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