quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

03 - Em busca da água que sustenta a vida


Há mais de 2000 anos, no deserto da Arábia, uma cidade próspera de 30000 habitantes atingiu uma posição de destaque. Apesar do clima inclemente da região, cuja precipitação média é de apenas 150 milímetros por ano, os cidadãos de Petra aprenderam a viver com pouca água. A cidade cresceu e prosperou.
Os habitantes de Petra, os nabateus, não tinham bombas de água elétricas nem construíram represas enormes, mas sabiam coletar e conservar a água de que dispunham. Uma enorme rede de pequenos reservatórios, diques, canais e cisternas permitia que eles canalizassem a água cuidadosamente coletada para ser usada na cidade e nos seus pequenos terrenos. Não desperdiçavam uma gota sequer. Seus poços e cisternas foram tão bem construídos que até hoje são usados pelos beduínos. “A hidrologia é a beleza oculta de Petra”, diz um hidrólogo maravilhado. “Eles (os nabateus) eram gênios”. Em anos recentes, especialistas de Israel procuraram aproveitar a habilidade dos nabateus, que também tinham plantações no deserto do Neguev, onde a precipitação raramente passa dos 100 milímetros por ano. Agrônomos examinaram os restos de milhares de pequenas propriedades rurais daquele povo, cujos donos habilmente canalizavam as chuvas do inverno para seus pequenos campos, em terraços.
As lições aprendidas dos nabateus já estão ajudando os agricultores em países assolados pela seca na região do Sahel, na África. Mas métodos modernos de conservação de água também são eficientes. Em Lanzarote, uma das ilhas Canárias, localizada ao largo da costa da África, os agricultores aprenderam a cultivar uvas e figos em lugares onde quase não chove. Eles plantam as videiras ou figueiras no fundo de cavidades redondas e depois cobrem o solo com uma camada de cinza vulcânica para evitar a evaporação. O orvalho que escorre até as raízes é o suficiente para garantir uma boa colheita.

Petra - Jordânia




Petra, um importante enclave arqueológico na Jordânia, considerada uma das novas sete maravilhas do mundo.



Soluções simples


Casos similares de adaptação a climas áridos são encontrados em todo o mundo, por exemplo, entre o povo bishnoi, que vive no deserto de Thar, na Índia; entre as mulheres turkanas, no Quênia; e entre os índios navajos no Arizona, EUA. Suas técnicas para coletar a água da chuva, aprendidas ao longo de séculos, revelaram--se muito mais confiáveis para atender às necessidades agrícolas do que métodos de alta tecnologia.
O século 20 foi a era da construção de represas. Rios enormes foram domados e desenvolveram-se sistemas de irrigação faraônicos. Cientistas calculam que 60% dos rios e riachos do mundo foram controlados de uma forma ou de outra. Embora esses projetos tenham trazido alguns benefícios, os ecologistas falam do dano ao meio ambiente, sem mencionar o efeito sobre milhões de pessoas que perderam seus lares.
Além disso, apesar das boas intenções, poucas vezes esses planos beneficiam os agricultores que precisam desesperadamente de água. Comentando projetos de irrigação na Índia, o ex-primeiro-ministro Rajiv Gandhi disse: “Gastamos rios de dinheiro durante 16 anos. O povo não recebeu nada em troca: nem irrigação, nem água, nem aumento da produção, nem ajuda para o seu cotidiano”.
As soluções simples, por outro lado, se mostraram mais úteis e menos danosas para o meio ambiente. Os seis milhões de pequenos açudes e represas que foram construídos por comunidades locais na China tiveram muito êxito. Em Israel, teve-se a ideia engenhosa de reutilizar, no saneamento e depois na irrigação, a água usada para lavar.
Outra solução prática é a irrigação por gotejamento, que conserva o solo e usa apenas 5% da água necessária nos métodos tradicionais. O uso sensato da água também inclui escolher plantas próprias de clima seco, como sorgo e painço, em vez de plantas que precisam de muita irrigação, como a cana-de-açúcar e o milho.
Com um pouco de esforço, os usuários domésticos e a indústria também podem reduzir o consumo de água. Por exemplo, pode-se fabricar um quilo de papel com cerca de um litro de água, se a água usada na fábrica for reciclada – uma economia de mais de 99%.

O que é preciso para ter êxito


Para solucionar a crise da água – e a maioria dos problemas ambientais – é preciso uma mudança de atitude. As pessoas têm de aprender a cooperar, a fazer sacrifícios razoáveis quando necessário e estar decididas a cuidar da Terra para seus futuros habitantes. Nesse respeito, Sandra Postel, no livro Last Oasis – Facing Water Scarcity (O Último Oásis – Como Enfrentar a Escassez de Água), explica: “Precisamos de uma ética da água, um guia de conduta correta em face das decisões complexas que temos de tomar em relação a sistemas naturais que não conseguimos entender plenamente”.
É claro que essa “ética da água” não pode ser adotada apenas localmente. Os países e os vizinhos têm de cooperar, visto que rios não respeitam fronteiras nacionais. “As preocupações sobre a quantidade e a qualidade da água – que ao longo da História foram tratadas em separado – devem ser agora encaradas como uma questão global”, diz Ismael Serageldin, no seu relatório Beating­ the Water Crisis (Como Vencer a Crise da Água).
Mas conseguir que as nações tratem de assuntos globais não é tarefa fácil, conforme admite o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan. “No atual mundo globalizado”, diz ele, “os mecanismos existentes para ação em âmbito global estão num estágio pouco mais do que embrionário. Já está na hora de darmos um sentido mais concreto à ideia de ‘comunidade internacional’”.



Glossário


Enclave: terreno ou território encravado em outro.
Próspera: abundante, farta; favorável, propícia; afortunada, rica.
Inclemente: que não tem clemência; cruel, impiedoso; duro, rigoroso, severo.
Precipitação: quantidade de água, neve, granizo que se lança de cima para baixo, da atmosfera para o solo, em determinado período.
Sorgo: gramínea originária da Ásia e da África que fornece cereal utilizado na alimentação; gramínea originária da Índia cujos caules florais são utilizados para fazer vassouras.
Painço: planta de flores dispostas em espigas, que fornece grãos ricos em proteínas, cujas sementes são utilizadas para alimentação de aves.






Preposição antes do que :


Às vezes, por exigência dos verbos em uma oração, é necessário colocar preposição antes do que. Veja a frase abaixo:

  • [...] mas sabiam coletar e conservar a água de que dispunham.(dispor de)

Analise outros exemplos:
  • Gosto de romances.
Esse é o romance de que gosto.
  • Ele lembrou-se de a água ter fervido.
Ele lembrou-se de que a água ferveu.
  • Ele duvida da existência do problema da água.
Ele duvida de que existam problemas com a água


       




       



       





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