terça-feira, 4 de julho de 2017

21. Quem te viu, quem TV...

   

Um olhar para o futuro




Depois de tantas festas, a tevê brasileira, na verdade, não mudou muito nesses 65 anos. Não se criaram ideias novas nem programas muito diferentes. A grande transformação ocorreu no campo técnico. E aí o avanço foi notável. Sob o aspecto intelectual e criativo, pouco mudou, ou melhor, pouco se criou. A tevê de alta definição, digital, não vai significar uma televisão mais inteligente. Essa estagnação intelectual da televisão brasileira sempre foi um fator de preocupação.
Uma saída em busca de uma televisão mais criativa, oxigenada e com novas propostas seria uma abertura para a produção independente. Nos Estados Unidos, mais da metade da produção televisiva é realizada por produtoras independentes. Isto é: as produtoras criam as ideias e os roteiros, contratam os artistas e diretores, usam o seu próprio equipamento técnico e entregam para as emissoras o produto pronto e finalizado. As redes ou emissoras apenas encomendam os programas — previamente definidos por pesquisas —, vendem para os patrocinadores e pagam o seu custo para as produtoras. Fica para as emissoras a realização dos telejornais, a opinião editorial. O mesmo acontece na Europa e no Japão. Essa é uma opção para democratizar e principalmente oxigenar, no futuro, a nossa programação, abrindo espaço para novas ideias, talentos, estilos e pensamentos. Abrindo, principalmente, o mercado de ideias.
No Brasil, a produção independente se iniciou junto com a nossa televisão. O próprio Sílvio Santos começou como produtor independente até criar o SBT, que exibe poucos programas independentes brasileiros, ficando mais nas produções mexicanas.
Um acontencimento importante da ultima decada, que é fundamental lembrar, a nossa televisão, está se mesclando com a Internet, ganhando um novo rosto com novas ideias produzidas em todas as regiões do Brasil. Estamos vivendo e nos identificando com nosso país e a nossa cultura com uma programação muito mais democrática.

A tecnologia alterou o modo de vida da sociedade.




O uso de satélites na comunicação encurtou as distâncias.




O tempo passa, mas a TV continua a mesma


Novelas, programas de auditório e telejornais são exemplos de formatos existentes desde os anos 1950 e que se mantêm entre os mais vistos.


A principal vítima na guerra da audiência entre as emissoras é a inovação. Na briga pelo Ibope nos canais abertos, acirrada pela migração de telespectadores para a Internet, as apostas ficam com formatos consagrados, que tomam espaço da experimentação.
Um giro pelos canais ou uma olhada na lista dos programas mais vistos, segundo o Ibope, mostra que boa parte das atrações exibidas seguem fórmulas quase tão antigas quanto a própria televisão. Não que esses formatos sejam ruins, você pode fazer algo bom com uma fórmula antiga. Mas a televisão não pode se esgotar no que está aí. As grandes emissoras preferem investir em fórmulas fáceis e já testadas, com as quais é mais garantido acertar no sentido financeiro. E tudo fica muito parecido, porque um canal copia o outro. Eles se voltaram para a audiência e não para o público. Historicamente, a TV brasileira é sustentada por um tripé: teledramaturgia, telejornalismo e variedades. São fórmulas de sucesso e, tratando-se de indústria cultural, não há interesse em correr riscos. Isso é mais claro em emissoras que não consolidaram audiência alta, sem espaço para arriscar. A Globo ainda tem espaço para testar alguma coisa, as outras, não.
Segundo Sérgio Mattos, diretor da Universidade Baiana de Ensino, Pesquisa e Extensão e autor do livro A televisão no Brasil: 50 anos de história, o que ocorre na TV brasileira é semelhante ao que se tornou padrão nos EUA. A programação norte-americana deve estar quase 80% tomada por game shows, talk shows e séries, formatos que sempre fizeram sucesso por lá. E nós estamos caminhando para isso, afirma.

Segmentação


Outro caminho provável, é uma aproximação cada vez maior das emissoras abertas do formato já seguido pela Internet. Com a convergência de mídias, a assimilação da internet pela televisão, poderemos ver o surgimento de canais abertos segmentados. Isso representaria uma busca do público que, cada vez mais, vai migrar para mídias que oferecem alternativas individualizadas.
A derrocada da inventividade nas emissoras está diretamente ligada ao período do Plano Real. Entre 1994 e 1998, cerca de 6 milhões de famílias que nunca haviam tido aparelho de televisão em casa passaram a ter. São cerca de 24 milhões de novos telespectadores, concentrados principalmente nas classes de menor renda.
A partir daí, há o reforço de interesse dos canais em investir em formatos como os dos programas de auditório, capazes de abranger os mais variados temas e se comunicar de maneira direta com as classes C e D. Outro fato também acorrido nessa época é a do ressurgimento da importância dos programas de auditório, a partir desse período, cresceu a divisão da audiência entre os canais.
Tem ocorrido uma “popularização perversa da TV aberta”. O conceito do que é “popular” deveria ser repensado. É comum ouvir as pessoas dizerem não aguentar mais a programação do domingo. Mas elas acabam vendo por falta de outras opções melhores.
Hoje no Brasil a necessidade popular está caracterizada pela demanda por formação e informação do telespectador brasileiro.



Televisão: educação ou alienação?





Televisão: educação ou alienação?




À Televisão - José Paulo Paes


Teu boletim meteorológico
Me diz aqui e agora
Se chove ou se faz sol.
Para que ir lá fora?

A comida suculenta
Que pões à minha frente
Como-a toda com os olhos
Aposentei os dentes.

Nos dramalhões que encenas
Há tamanho poder
De vida que eu próprio
Nem me canso em viver.

Guerra, sexo, esporte
– Me dás tudo, tudo.
Vou pregar minha porta:
Já não preciso do mundo.

PAES, José Paulo. À televisão. In: Prosas seguidas de Odes Mínimas. São Paulo: Cia das Letras, 1992.



Glossário


Concessão: permissão; ato de ceder em favor de outrem; privilégio, direito que se obtém do Estado para exploração de riquezas minerais do subsolo, de serviços públicos, etc.
Derrocada: desabamento, queda; ruína.






Dicas de Gramática



Dica 19 – Uso de “TÃO POUCO” ou “TAMPOUCO”

TÃO POUCO é o mesmo que “muito pouco”, como no exemplo “Ganho tão pouco que não dá nem pro cafezinho”

TAMPOUCO é o mesmo que “também não”, como no exemplo “Não comi a salada tampouco a sobremesa”



       


       
          












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